Aula Particular Valinhos

Aprender pressupõe

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Aprender pressupõe
Aprender pressupõe
Aprender pressupõe: A presença do aluno na sala de aula, receber e aceitar o que foi ensinado, engolir e ruminar o que foi recebido e somente assim, poderá digerir e assimilar os conteúdos que farão parte de seu ser.

O aprendizado verdadeiro de um ser humano, assemelha-se ao processo digestório dos bovinos, o alimento somente entrará em suas células após passar pelos processos físicos da apreensão do alimento, mordida, mastigação, deglutição, ruminação, processos químicos que agem sobre os alimentos, assimilação pelas células e eliminação do que não é aproveitado.

Quando pergunto para os alunos o que foram fazer ou o que estão fazendo na escola, invariavelmente eles me respondem que foram estudar ou que estão estudando.

Infelizmente eles não têm consciência do complexo que se passa de fato no processo de aquisição de conhecimentos e estudos nos primeiros anos do Ensino Fundamental nos demais aprendizados da vida toda. Tratarei inicialmente da fase do ensino fundamental, porém em menor ou maior escala, as características são iguais em todas as fases do desenvolvimento humano.

Vamos inicialmente fazer algumas definições para que tenhamos um entendimento mais homogêneo.

Aprender, em primeira análise, significa apreender, ou seja, segurar dentro de si ou tomar para si, tomar ou adquirir conhecimento, tornar-se capaz de algo graças ao estudo, adquirir experiência através da observação, da prática, reter os conhecimentos na memória. Porém para isto, é necessário ouvir atentamente e olhar, ver e enxergar detalhadamente.

Estudar significa aplicar a inteligência para aprender, observar atentamente, procurar fixar na memória, examinar e dentre tantas outras explanações, também pressupõe frequentar um curso. Esta última definição, um tanto quanto restrita, não expressa toda a complexidade do ato de estudar e aprender e é sobre ela e as demais definições que faremos a nossa reflexão.

Veja como é interessante a definição de saber: deriva do latim sapere (ter gosto), ter conhecimento, ciência, informação ou notícia sobre algo, ter certeza sobre algo (coisa futura), ser capaz de prever, ser instruído em determinado assunto, compreender, perceber, reter na memória, ter conhecimento teórico ou prático, saber de cor (automaticamente e imediatamente), ter sabedoria.

Então, vejamos: observe que cada uma das palavras citadas nas definições tem um significado próprio e que algumas delas carregam em si um caráter de sentidos (órgãos dos sentidos, sentimento, de sensação, percepção, emoção humana) tais como inteligência, ter gosto por algo (gostar), ser capaz de prever, ter sabedoria.

Assim, quando pergunto para os alunos o que estão fazendo na escola e eles me respondem que estão estudando, estão muito desfocados da realidade, despreparados para um entendimento maior de seus atos, desconhecem o real sentido do ato de estarem sentados dentro de uma sala de aula e nas dependências de determinada escola.

Então vamos interpretar os passos de um aluno logo ao amanhecer. O menino ou a menina acordam, tomam seu café da manhã, vestem o uniforme, pegam seu material e se dirigem à escola. Lá chegando, conversam com os colegas, quando bate o sinal se dirigem às suas salas de aula e começam a assistir às aulas dos professores que se sucedem, um a um, até o final do dia letivo.

Nesse processo de assistir às aulas, uma série de eventos acontece, sem que os meninos e as meninas, os jovens e até os adultos em etapa de aprendizado se deem conta. Fundamentalmente é preciso que o aluno esteja presente na sala de aula, de fato “na sala de aula”, na informática, na biblioteca, em qualquer dependência da escola onde conhecimentos estejam sendo transferidos de uma pessoa à outra. De nada adianta estar apenas de corpo presente na aula, sem, contudo, estar com a mente focada nas atividades sendo desenvolvidas.

Estando na sala de aula, os alunos tem a oportunidade de assistir às aulas, adquirirem conteúdos novos, ouvirem as explicações, realizarem exercícios de fixação, revisão e reforço escolar.

Os conteúdos trabalhados devem ser anotados, registrados, os livros e apostilas devem ser lidos e os textos e explicações acompanhados com atenção e dedicação. Os alunos devem anotar, registrar os textos, questões, dados passados, explicações, interpretações dos problemas, gráficos e esquemas, orientações de pesquisas na internet, enfim, é o momento de receberem informações, receberem os conteúdos.

Para que todos estes eventos cumpram efetivamente seu papel, é necessário que os alunos aceitem as informações, e não apenas que as “engulam”, que engulam os conhecimentos “güela abaixo”, engulam tudo o que está sendo dito, mas que os conteúdos recebidos, agora sejam armazenados para que sejam revisitados pelos alunos quando ocorrer uma avaliação de conteúdo, ou quando a vida cotidiana ou profissional lhes exigir alguns destes conhecimentos.

Somente após assistirem às aulas, anotarem as informações e aceitarem o que lhes foi transmitido, é que os alunos terão condições de reterem, armazenarem os conhecimentos adquiridos para que em momento de necessidade, possam “buscá-los nos arquivos” e responder aos desafios da vida, seja na escola, seja no seu dia-a-dia. Após as etapas descritas, através de revisões de conteúdo e o que podemos, agora sim, chamar de estudo, com muito senso de responsabilidade, os alunos poderão tomar posse do que lhes foi entregue dia após dia na escola, não só na sala de aula, mas em todas as atividades desenvolvidas em nome dessa instituição tão especial e importante. Devemos ressaltar neste ponto que, na escola não se aprende apenas conteúdos técnicos, mas, se bem observado, todas as atitudes pessoais tem o poder de “ensinar para a vida”. Na escola aprendemos a viver, interagir, nos tornamos pessoas ativas na sociedade, com atitudes boas, más ou de indiferença.

Se os alunos cumpriram todas as etapas traçadas até agora, se de fato tomaram posse dos conhecimentos que agora lhes pertencem, poderão realizar interpretações e aplicações dos conteúdos nos mais diferentes temas, a partir de cada vivência, ou seja estarão capacitados a realizar associações cognitivas nas diferentes interações humanas.

Para interpretar e associar os conteúdos, é necessário que, fora da escola, os alunos releiam os textos, de preferência no mesmo dia em que foram passados. É o que chamo de engolir e mastigar os conhecimentos, depois ruminá-los (mastigar novamente o alimento que volta à boca, após ter chegado ao estômago – isto ocorre, por exemplo, com os bovinos) para finalmente eles serem incorporados definitivamente em suas células, em seu cérebro para nunca mais saírem de lá. Não se trata de decorar, mas sim de “saber”. Os conhecimentos devem habitar nossas entranhas, deve se tornar visceral e não apenas estar conosco momentaneamente como uma roupa que usamos um dia e a retiramos, sem saber o dia que a reutilizaremos.

Se esquecimentos ocorrerem ou mal-entendidos surgirem, facilmente eles podem ser sanados, pois, os arquivos são acessados, a lembrança é ativada e os entendimentos voltam com sentido, como se o conhecimento fosse recente, e, assim, o estudo revitalizará a memória e o desejo de manter-se sempre atualizado.

Então, para recordarmos o início de nossa conversa, dizer que o aluno vai à escola para estudar, é uma definição simplista demais para dar conta da complexidade e beleza do processamento mental envolvido e do processo de aprendizagem definitivo como um todo.

Recordando, temos a seguinte sequência lógica: aluno presente na sala de aula deve ver, assistir e ouvir os conteúdos passados, aceitá-los, anotá-los corretamente e tudo o que lhe foi passado, deve ser mastigado, deglutido (engolido) e posteriormente ruminado, armazenado na memória após estudo, (releitura dos conteúdos, interpretação e  incorporação). Se cumpridas essas etapas em sua própria vida, com revitalização da memória, acúmulo de conhecimentos retidos, capacidade aprimorada de lembrar-se dos itens apreendidos e saber usá-los diante dos desafios da vida, teremos então alunos que conseguem adquirir o melhor que a vida escolar pode lhes oferecer.

            Um detalhe fundamental que pode bloquear todo este rico processo transformador é o fato de que “quando um quer, dois não brigam”, ou seja, se o professor quer ensinar e o aluno não quer aprender, participando das etapas descritas, muito pouco ou quase nada poderá ser feito pelos professores e pela escola, seja ela particular ou pública.

Se um paciente vai ao médico e quer de fato sarar, para isto deverá tomar os medicamentos, seguir dietas e demais terapias indicadas, porém ou se não fizer as terapias recomendadas, muito pouco o médico poderá ajudar. Nesse caso será necessário que o paciente sofra sem necessidade e pode ser que nunca sare. Gosto desse último exemplo, pois nós, professores que estamos na linha de frente no setor da educação, vemos uma sociedade representada por famílias doentes, desestruturadas, com filhos frustrados, tristes, desanimados, em estado de desnutrição mental, poderia dizer até anorexia mental.

            Para aprofundar essa análise, se faz necessário entender as crianças sob diversos pontos de vista. Enquanto colocamos a culpa de todos os problemas na questão da revolução tecnológica, podemos estar olhando para o problema com uma lente inadequada que desfoca o objeto, dando ao observador, a sensação errada.

O problema não cessa se os pais que já estiverem separados não derem a devida atenção aos seus filhos, sendo frequente um aluno problemático falar em seu padrasto ou sua madrasta, narrando uma situação problema ou emblemática para eles. Muitas vezes o aluno-problema com quem trabalhamos, já tem um irmãozinho mais novo, fruto do relacionamento mais recente dos pais (do pai ou da mãe), porém como na maioria das vezes o casal tem uma vida em comum há pouco tempo, não é raro que as famílias tenham filhos bem mais novos que nossos alunos. Esse também é um ponto de insatisfação da criança e do adolescente, ter irmãos bem mais novos, que teoricamente monopolizam a atenção e os cuidados da nova família, sendo que muito raramente esse jovem se dá conta de que seus problemas tenham origem absolutamente emocional.

A revolta gerada pela presença de um novo parceiro ou parceira para sua mãe ou pai, ou ainda um bebê, faz com que a criança ou adolescente, simplesmente se deixe levar pelo abandono, desestímulo, mesmo que isto seja apenas criação de sua mente, causada por aquela figura com quem ela ou ele, devem dividir o pouco tempo de atenção disponível dos pais, que já estão cansados, estressados e abalados com os problemas escolares dos filhos, ou outros, em um país tão devastado política e financeiramente como o Brasil.

            Assim, entendo que todos os esforços devam ser feitos para reduzir os níveis de desinteresse dos jovens, melhorar seu foco e possibilitar mais aprendizado, para uma vida mais útil, feliz e realizada. Dessa forma espero ter contribuído com uma reflexão que me parece oportuna em função dos desperdícios de dons, talentos e oportunidades que estamos assistindo a partir dos comportamentos dos jovens.

Autora: Ms. Professora Silvia Mattos – Valinhos,  revisado em 14.01.2020.

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